Por Fernanda Oliveira
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Sábado, 22 de fevereiro de 2025
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NARCISISTA, EGOÍSTA OU EGOCÊNTRICO: COMO IDENTIFICAR E LIDAR COM ALGUÉM QUE SÓ FALA DE SI MESMA?
Você já percebeu aquele namorado que, ao chegar, mal pergunta sobre o seu dia e já começa a falar animadamente sobre a reunião de trabalho ou a próxima corrida? Ou aquela amiga que, de cada dez mensagens que você envia, só responde quando o assunto é sobre ela? Se sim, talvez você esteja lidando com um comportamento que pode ser classificado como narcisismo, egoísmo ou egocentrismo. E qual é a diferença entre esses perfis e como você pode lidar com eles sem se desgastar emocionalmente?
O narcisista, quando se trata de um transtorno de personalidade, vai muito além do simples ato de falar demais sobre si mesmo. Trata-se de uma pessoa que, por padrão, se vê como superior e espera que os outros a adorem. Essa postura não é apenas um traço isolado de egoísmo: ela se manifesta na forma de manipulação e falta total de empatia. O narcisista tem prazer em exercer poder sobre os outros, fazendo com que você se sinta culpada ou responsável por problemas que não são seus.
Imagine um parceiro que, mesmo em momentos de conflito,
consegue girar toda a conversa para si, minimizando ou invalidando os seus
sentimentos. Ele pode elogiar publicamente suas qualidades, mas, na intimidade,
recusa-se a reconhecer qualquer erro ou vulnerabilidade. A mudança nesse
comportamento é rara, pois o próprio narcisista dificilmente reconhece que há
algo de errado.
O que fazer? Se for um colega ou parente, mantenha a
interação no nível estritamente social ou profissional. Se for alguém com quem
você tem intimidade e pode escolher se afastar, considere reduzir o contato
para preservar seu bem-estar.
Diferente do narcisista, o egoísta realmente coloca suas
próprias necessidades em primeiro lugar, mas sem a intenção maliciosa de
manipular ou humilhar os outros. Ele não busca necessariamente dominar a
conversa ou enaltecer sua própria importância; ele simplesmente não consegue
sair do modo “eu no centro” porque seu foco principal é o conforto e a
satisfação pessoal.
Um amigo que insiste em escolher sempre o restaurante nos
encontros, ignorando suas sugestões ou preferências, mesmo que de forma não
deliberadamente agressiva. Ele pode, em outras áreas, demonstrar afeto e
consideração, mas a rotina mostra que, quando se trata de decisões importantes,
ele pensa primeiro em si mesmo.
O que fazer? Se o egoísmo estiver afetando a relação, uma
conversa honesta pode abrir espaço para ajustes. Avalie se os aspectos
positivos da pessoa compensam essa característica. E lembre-se de que o
egoísta, ao contrário do narcisista, pode estar disposto a mudar se reconhecer
que está causando um desequilíbrio.
Já o egocêntrico é aquele que, sem a intenção de ferir,
simplesmente não percebe que está monopolizando a conversa ou ignorando as
necessidades alheias. Ele vive tão centrado em sua própria perspectiva que,
mesmo quando há espaço para empatia, não consegue sair do próprio umbigo. A
pessoa egocêntrica pode até demonstrar interesse, mas logo se perde em um
monólogo sobre si mesma.
Você conta um episódio difícil do seu dia e, antes que
termine, a pessoa já lança um comentário sobre uma experiência similar que
viveu – sem nunca se aprofundar no seu relato. Essa tendência faz com que as
conversas se transformem em monólogos, onde o “eu” sempre prevalece.
O que fazer? Tente um diálogo construtivo, chamando a
atenção para o desequilíbrio na comunicação. Se a pessoa valoriza a relação, há
chances de que ela, ao se dar conta, tente ajustar seu comportamento. Caso
contrário, aprenda a impor limites para que a troca seja mais justa e
equilibrada.
O mundo está cada vez mais individualista, reforçado pelas
redes sociais, onde se conhece até detalhes da vida de celebridades, mas se
ignora o que acontece no cotidiano das pessoas próximas. E perceber esses
comportamentos torna-se fundamental para você preservar relacionamentos
saudáveis. A reciprocidade e a troca são pilares essenciais; quando você sente
que a relação é unilateral, o desgaste emocional é inevitável.
A boa notícia é que o conhecimento é a arma mais poderosa
contra a toxicidade. Entender as raízes dos comportamentos narcisista, egoísta
e egocêntrico permite que você identifique padrões prejudiciais e saiba como
agir para se proteger. Nem sempre o problema está na má intenção – muitas
vezes, está na limitação emocional e na dificuldade de ver além do próprio eu.
Se você tem muito a oferecer, tanto em termos de carinho
quanto de apoio, lembre-se: relacionamentos saudáveis requerem um equilíbrio de
esforços. Investir tempo e energia em alguém que não consegue ou não quer
corresponder a esse equilíbrio pode significar abrir mão de um relacionamento
verdadeiramente recíproco.
Conviver com pessoas que apresentam esses comportamentos não
é fácil, mas o primeiro passo para lidar melhor com a situação é compreender a
diferença entre ser narcisista, egoísta ou egocêntrico. Ao identificar o que
realmente está acontecendo, você pode decidir se vale a pena investir ou se é
hora de se afastar para preservar sua saúde mental.
E agora, quero saber: você já se deparou com algum desses perfis em suas relações? Como você lida com essa situação? Compartilhe suas experiências nos comentários e, se este conteúdo foi útil para você, compartilhe-o com quem precisa entender mais sobre esse assunto!
Fernanda Oliveira
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