Por Fernanda Oliveira
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Sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025
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BABYGIRL: UMA ANÁLISE PSICOLÓGICA SOBRE DESEJO, COMUNICAÇÃO E CONSEQUÊNCIAS
O filme Babygirl (2024), dirigido por Halina Reijn, apresenta uma narrativa intensa que aborda temas delicados como o desejo, a insatisfação conjugal e as consequências da falta de comunicação em um relacionamento. A trama gira em torno de Romy Mathis, uma mulher madura, bem-sucedida profissionalmente, que se vê envolvida em um relacionamento extraconjugal com um jovem estagiário. A partir dessa premissa, o filme se desdobra em uma reflexão profunda sobre as dinâmicas emocionais de um casamento em crise.
O silêncio no casamento: a falta de comunicação como gatilho emocional
Desde o início, é perceptível o distanciamento emocional entre Romy e seu marido. Embora vivam uma vida aparentemente estável, o casal enfrenta um vazio crescente que não é preenchido pelas rotinas do dia a dia. Romy tenta estabelecer uma comunicação com o marido, buscando reconectar-se emocionalmente, mas suas tentativas são frustradas pela falta de reciprocidade e abertura.
Na psicologia, a comunicação é considerada um dos pilares fundamentais para a saúde de qualquer relacionamento. Quando ela falha, o casal pode entrar em um ciclo de frustração e ressentimento, onde sentimentos não expressos acumulam-se e criam barreiras emocionais. Esse distanciamento, muitas vezes, leva um ou ambos os parceiros a buscar fora do relacionamento aquilo que sentem faltar: atenção, validação ou conexão emocional.
Desejo e validação: a busca por algo que falta
O envolvimento de Romy com o jovem estagiário não se resume a uma atração física. O desejo que ela sente é alimentado por algo mais profundo: a necessidade de ser vista, ouvida e desejada. Esse jovem representa para ela uma nova oportunidade de se sentir viva, de escapar da monotonia e da indiferença que permeiam seu casamento.
Do ponto de vista psicológico, o desejo pode ser entendido como uma manifestação de carências emocionais não resolvidas. Quando um relacionamento carece de diálogo e compreensão, a insatisfação pode se transformar em comportamentos impulsivos, como a traição. No entanto, é importante ressaltar que, embora o filme explore esse caminho, a infidelidade não é uma solução saudável para resolver conflitos conjugais.
A importância da honestidade e do diálogo
Babygirl provoca o espectador a refletir sobre a importância da honestidade nos relacionamentos. Trair é uma forma de evitar o enfrentamento dos problemas reais, desviando o foco da raiz do conflito. O filme mostra como a falta de comunicação não só contribuiu para o distanciamento do casal, mas também agravou as consequências das escolhas impulsivas de Romy.
Manter um diálogo aberto e honesto, mesmo em situações desconfortáveis, é essencial para a construção de um relacionamento saudável. A vulnerabilidade, embora difícil, é um componente necessário para que ambas as partes possam expressar suas frustrações, desejos e expectativas de forma respeitosa e construtiva.
O impacto das escolhas e o desfecho emocional
Sem entrar em detalhes que comprometam a experiência do espectador, o desfecho de Babygirl deixa espaço para uma reflexão sobre as consequências das escolhas feitas ao longo da trama. O final do filme não oferece respostas fáceis, mas levanta questões importantes: até que ponto o desejo pode justificar comportamentos prejudiciais? E quando o diálogo falha, quais são as alternativas saudáveis para lidar com a insatisfação?
O filme convida o público a pensar sobre como a falta de comunicação e a busca por validação externa podem levar a decisões que impactam não só o indivíduo, mas também todos ao seu redor. Em última análise, Babygirl é uma narrativa sobre os riscos de evitar conversas difíceis e as consequências emocionais de escolhas impulsivas.
Conclusão
Babygirl é mais do que um filme sobre traição; é uma análise das complexidades emocionais que envolvem o desejo, a insatisfação e a comunicação nos relacionamentos. A história de Romy Mathis serve como um lembrete da importância de manter o diálogo aberto, honesto e constante, mesmo quando é desconfortável. A traição, embora possa parecer uma solução temporária para o vazio emocional, não resolve os problemas subjacentes e, muitas vezes, resulta em consequências ainda mais dolorosas.
Ao final, o filme nos deixa com uma pergunta: quando o diálogo falha, como você lidaria com o vazio que resta?
Fernanda Oliveira
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